Arquivo mensal: dezembro 2015

Teoria x prática

por Helton dos Santos

 

Gosto de ler sobre Budô. Se você está aqui, deve gostar também, imagino. Ou talvez tenha caído aqui por engano, seja só um amigo conferindo meu blog, qualquer coisa assim… Não vá embora ainda! Embora o post tenha como tema a teoria x a prática no caso do Budô, na verdade serve pra praticamente qualquer assunto, de modo que pode ser interessante para todos. Gosto de ler livros, blogs, matérias em jornais e revistas (raro ver uma sobre Aikidô, ou sobre Judô que não seja sobre competições, hein?). Gosto de ver algumas matérias mais profundas, que tratem questões importantes (como o objetivo final do treinamento, o aperfeiçoamento pessoal, etc.), ou mesmo matérias mais leves, que falem sobre como se sentar, por exemplo. Mas toda esta leitura não passa de teoria. Budô não é sobre teoria, é sobre prática.  Continuar lendo

Competição de Aikidô?

A título de curiosidade: como é uma competição do Shodokan Aikidô? Os vídeos abaixo podem dar uma noção do que esperar. Particularmente acho que parece mais Judô do que Aikidô. Mas talvez se o Judô não fosse competitivo ele iria parecer mais com o Aikidô, não? O fato é que treinar um Kote-gaeshi no Dojô, um ambiente controlado, é uma coisa. Se você tiver que usar ele na prática, na vida real, com o caos de uma briga e uma mão tentando quebrar seu nariz, a coisa muda de figura. Talvez na pratica as coisas fossem ficar um pouco mais parecidas com isso: Continuar lendo

O Jujutsu 柔術

por Helton dos Santos

 

O comum é traduzirmos Ju Jutsu, também grafado como Jiu Jitsu ou Ju Jitsu, dependendo das regras de tradução adotadas, como “Arte Suave”. Na verdade, são duas palavras cuja tradução é difícil de ser realizada ao pé da letra para nosso idioma. Uma língua carrega aspectos culturais próprios, e não necessariamente é possível traduzir todas as suas palavras para outro idioma. Assim sendo, é preciso pensar um pouco a respeito destes dois termos japoneses e seu significado, para compreendermos melhor sobre o que estamos falando. Continuar lendo

Estilos antigos – Koryu

por Helton dos Santos

 

Nas diversas artes marciais japonesas sempre nos deparamos com os chamados estilos, ou em japonês, ryu. Todas as Artes Marciais possuem estilos diferentes, que surgem quando um Mestre, ao discordar de certos pontos de sua Arte, modifica-os, fazendo com que a prática assuma aspectos diversos – mas não a tal ponto que fique totalmente diferente da original. Por exemplo, um certo estilo de Kenjutsu (esgrima) pode dizer que o correto é segurar a espada no alto, enquanto outro diz que o melhor é segurá-la de lado. Em um terceiro estilo, usar duas espadas ao mesmo tempo não é considerado errado, enquanto que nos outros dois, isto é um tabu. Às vezes as diferenças nos estilos são mais uma questão de interpretação de ensinamentos e preceitos filosóficos do que de técnicas em si – daí o fato de antigamente traduzirem o termo ryu como ‘seita’, algo que soa meio religioso hoje, mas que expressa bem o significado da palavra. Devemos sempre ter em mente que a tradução de termos de uma língua para outra sempre gera perdas de significado, por isso é preciso estudar e conhecer varias traduções possíveis, para entender qual a ideia que a palavra quer passar.

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A graduação nas artes marciais japonesas

por Helton dos Santos

Praticantes de Judô, Aikidô e Karatê já estão acostumados com os kyu e dan que representam sua graduação. Normalmente vinculados a alguma cor de faixa, este sistema, chamado Dan-i, teria sido criado por Honinbo Dosaku, um dos maiores jogadores de Go da história (Go é uma espécie de Xadrez japonês), para designar o grau de habilidade dos jogadores, no século XVII.

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Os Samurais e as Artes Marciais

por Helton dos Santos

 

Originalmente, a Arte Marcial mais importante para os Samurai era o Kyujutsu – Arquearia, ou Arte do Arco e flecha. Mas com o desenvolvimento da metalurgia nipônica, a Esgrima (Arte da Espada), ou Kenjutsu, ganha mais importância. Na verdade quando pensamos em um Samurai, já imaginamos um habilidoso espadachim. A espada, particularmente o sabre japonês chamado Katana, tornou-se o símbolo do Samurai. Em conjunto ao treinamento do Arco e da Katana, bem como da Lança, do Bastão, do Jitte, e as vezes de armas mais exóticas, como o Kusarigama, os guerreiros japoneses treinavam técnicas de desarme e imobilização de adversários, possibilitando que o combate continuasse, mesmo que o soldado estivesse desarmado. Claro que, na prática, estar desarmado na frente de um homem armado de uma lança ou espada costumava significar a morte, mas o treinamento de técnicas de combate desarmado era necessário para formar um guerreiro realmente eficiente.

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