A necessidade de lutar

por Helton dos Santos

 

A necessidade de aprender a lutar é inerente ao Homem. Em todos os lugares do mundo, onde o Homem habitou, algum tipo de Arte Marcial acabou se desenvolvendo. O termo Arte Marcial significa: arte ou técnica de guerrear. Marcial vem de Marte, o Deus da Guerra na antiga religião romana (Marte é o equivalente romano de Ares). Arte Marcial abrange não só técnicas físicas, que visam ferir, matar ou capturar um oponente, mas também estratégias para fazê-lo, incluindo treinamentos mentais e espirituais. Quando o Homem primitivo saia para caçar, ou os soldados modernos vão para a guerra, eles sabem que podem vir a morrer ali. Por isso é importante criar um estado mental onde o medo da morte e da derrota seja superado, pois tal medo pode atrapalhar o pleno desenvolvimento do combate.

Seja nas savanas africanas, nas estepes européias, ou nas florestas da América, o ser humano, enquanto predador (e algumas vezes presa) desenvolveu sistemas de combate com lanças, bastões, pedras, bem como formas de luta desarmada e estratégias militares ou de caça. Alguns povos, como os chineses e os helênicos (gregos) levaram este conhecimento a um nível superior, escrevendo tratados, e considerando a guerra como algo divino. Nossos índios também empregavam táticas avançadas de combate, e consideravam a guerra uma necessidade espiritual: era através dela que seria possível conseguir prisioneiros para os Rituais Antropofágicos.

Assim sendo, não é de se estranhar que técnicas cada vez mais refinadas, e armas cada vez mais eficientes fossem desenvolvidas pelo Ser Humano. E estas técnicas seriam usadas em guerras pelo controle de portos, rotas de comércio, cidades, ou pelo domínio cultural, através da imposição da língua e da religião de povos conquistadores. Durante a História podemos ver exemplos que evidenciam que nem sempre o mais forte ganha o combate, e sim o mais técnico. Foi assim na Batalha de Termópilas, onde um pequeno numero de espartanos, sob o comando de Leônidas, impediu por três dias o avanço do numeroso exército do rei persa Xerxes, que tentava dominar Atenas. Confiante de seu numero superior, Xerxes se deixou cair na armadilha de Leônidas, que levou o adversário até um desfiladeiro onde os grego-espartanos tinham vantagem mesmo em número menor. Caso Leônidas não tivesse conseguido retardar o avanço persa, os exércitos gregos não teriam tido tempo de organizar uma defesa, e a Grécia teria caído, destruindo a nascente Civilização Ocidental. Estratégias parecidas já foram usadas por outros exércitos, em outros tempos, em outros lugares. Também citamos o caso da conquista de Cuba pelo Movimento Revolucionário 26 de Julho, que sob o comando de Fidel Castro usou estratégias superiores de combate e derrotou um exército maior e apoiado pelos EUA, na década de 1950.

 

ZuluWarriors

(Guerreiros zulus – foto do final do século XIX. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Zulus#/media/File:ZuluWarriors.jpg)

 

No Japão, um país que possuía uma cultura voltada ao militarismo até a metade do século XIX, o desenvolvimento das Artes Marciais (Bujutsu em japonês) foi intenso. Diversas formas de combate acabaram surgindo, especializados em diversos tipos de armas e situações. Também houve o desenvolvimento de vários tipos de estratégias militares, e até uma cultura que preparava os soldados mentalmente e espiritualmente para a guerra, criando homens que não tinham medo de se sacrificar pelos seus senhores, e que atacavam sem medo ou hesitação (o que os tornava formidáveis adversários) – o Bushidô.

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