Não desista! (ou: a técnica vem pra quem insiste no treinamento)

por Helton dos Santos

 

Comecei a treinar Aikidô há pouco tempo, 1 ano e dois meses, aproximadamente. No começo da minha prática ficava frustrado em não conseguir realizar mesmo os movimentos mais simples. Parecia que eu nunca ia conseguir, cheguei a pensar em desistir! Eu que há tanto tempo esperava uma oportunidade de poder conhecer esta arte marcial, quando finalmente a encontrei, pensei que não era pra mim, que eu não era capaz!

Me lembro de um dia ter exposto essa minha dificuldade para um dos meus Sensei. Disse que achava as técnicas muito difíceis de se executar, que não estava conseguindo entender. Ele riu. Disse que não era difícil, que haviam técnicas difíceis, mas que comparando as que eu precisava aprender era fáceis. Na hora pensei que fácil era falar aquilo, que eram minhas dificuldades. Mas entendi o que ele quis dizer depois…

Apesar de você poder passar a vida inteira treinando Ikkyo, de ela não ser fácil, ela é fácil! Há muitas nuances, muitos detalhes, muito a se treinar para se aperfeiçoar um Katate-dori dai-ikkyo, com certeza, mas a técnica em si é fácil. Sim, cada um de nós, do faixa branca ao Yondan, sempre poderá aperfeiçoar mais e mais cada uma das técnicas, mesmo a mais elementar. Mas isso não significa que a técnica é difícil. A dificuldade está em cada um!

No meu caso a dificuldade não estava no Katate-dori dai-ikkyo. Conseguia fazer esta técnica, justamente porque desde o começo achei ela simples. Claro, muito a aperfeiçoar ainda… muito MESMO! Mas desde o começo fazia sem receio. Meu problema era com o Shomen-uchi Irimi-Nage. Essa era meu nêmesis quando eu era faixa branca. Chegava a torcer para não ter que aplicar esta técnica num treino, apesar de saber que, dada minha dificuldade, era justamente esta que eu mais tinha que treinar!

Não entendia nada dela: como mover os braços, como mover as pernas, como usar o quadril, como defender o Shomen-uchi, essa coisa de virar pro mesmo lado que o Uke, olhar pra onde ele olha. Era tudo muito estranho pra mim. E íamos insistindo no treino, tentando e tentando, jogando os mais diferentes Uke, mais altos do que eu (normal), mais baixos do que eu (raro!), fortes, fracos, bons de ukemi, ruins de ukemi, etc. Havia perdido a data pra um exame de faixa (para 5º kyu), o que me aliviou um pouco, porque achava que meu Irimi Nage ainda não estava bom. Daí, pouco tempo depois do dia que teria sido meu exame, eu simplesmente consegui. Me lembro da sensação, da entrega. Quando vi estava, pelo menos, com o formato correto de Irimi Nage. Defendia com um leve desvio do braço Shomen-uchi do Uke, me posicionava do seu lado e atrás, após um avanço de perna (o Irimi, a entrada), puxava sua cabeça para meu ombro, o desequilibrando, e dava mais um passo, para o lado oposto ao qual eu estava, ao mesmo tempo em que meu braço do mesmo lado, relaxado, atingia seu ombro, jogando-o para baixo. Daí em diante começou a sair cada vez mais natural. Estive no próximo exame de faixa, quando fui aprovado para faixa amarela, e estava tão concentrado na hora do exame, que nem lembro de aplicar o Irimi-nage!

Esta experiência me ensinou a relaxar um pouco. Hoje, quando não consigo aplicar uma técnica, fazer um movimento, não me torturo com isto. Apenas relaxo e tento fazer o meu melhor, tento entender o que está ocorrendo. Sei que de tanto treinar, uma hora vou aprender. Claro, é preciso tomar cuidado para não ser displicente, fazer as técnicas de qualquer jeito achando que depois arruma, que depois aprende. Este tipo de atitude faz com que o aprendizado não venha. É preciso tentar com toda a vontade! Só não é preciso se frustrar caso não consiga da primeira (ou 58ª) vez!!!

Domo Arigato Gozaimassu!

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