Os Samurais e as Artes Marciais

por Helton dos Santos

 

Originalmente, a Arte Marcial mais importante para os Samurai era o Kyujutsu – Arquearia, ou Arte do Arco e flecha. Mas com o desenvolvimento da metalurgia nipônica, a Esgrima (Arte da Espada), ou Kenjutsu, ganha mais importância. Na verdade quando pensamos em um Samurai, já imaginamos um habilidoso espadachim. A espada, particularmente o sabre japonês chamado Katana, tornou-se o símbolo do Samurai. Em conjunto ao treinamento do Arco e da Katana, bem como da Lança, do Bastão, do Jitte, e as vezes de armas mais exóticas, como o Kusarigama, os guerreiros japoneses treinavam técnicas de desarme e imobilização de adversários, possibilitando que o combate continuasse, mesmo que o soldado estivesse desarmado. Claro que, na prática, estar desarmado na frente de um homem armado de uma lança ou espada costumava significar a morte, mas o treinamento de técnicas de combate desarmado era necessário para formar um guerreiro realmente eficiente.

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Samurai com arco Yume, uma arma típica japonesa

Como no xogunato Tokugawa o porte de armas era restrito aos Samurai, técnicas de combate desarmado eram consideradas coisa de castas inferiores, e muitas vezes menosprezada pelos Bushi. Não que eles não a treinassem, mas o fato é que tais técnicas eram treinadas em conjunto com o treinamento de esgrima. Assim, ao treinar uma Arte Marcial, eram cobertos ensinamentos de combate com Espada, Lança, Arco e também técnicas com as mãos nuas. Como o objetivo era formar soldados, quanto mais técnicas de combate este conhecesse, melhor. A especialização dos estilos foi ocorrer mais tarde, na medida em que os mestres dos estilos passam a focar seus estudos nas técnicas favoritas, e ocorre a ascensão das Budô, em detrimento das Bujutsu.

Jujutsu era um termo comum para nomear certas técnicas de combate desarmado, especialmente as que visavam derrubar e dominar um oponente, por meio do princípio de usar a força do adversário contra ele mesmo – tal princípio recebia o nome de Ju Yoku Go o Seisu, que significa “o suave controla o duro”. Este princípio diz que se um adversário tenta me agredir, o melhor a fazer é não opor resistência direta, e sim moldar meu golpe para que eu o controle. Era assim exemplificado por Jigoro Kano: Imagine que meu adversário esteja a minha frente, e que sua força possa ser mensurada com um valor 10. Minha força, por sua vez, pode ser mensurada com o valor 7. Se ele me empurrar com toda sua força, nem que eu me oponha com toda a minha força poderei detê-lo. Se, por outro lado, eu me afastar, me adaptando ao ataque, e puxá-lo, ele será desequilibrado para frente, e eu manterei meu equilíbrio. Sua força que era de 10 fica reduzida a 3 (graças à ação de minha força), e eu posso arremessá-lo com facilidade, por ter conservado meu equilíbrio e minha força.

Além do termo Jujutsu, eram usados outros nomes para designar esta técnica, como Torite, Hakuda, Taijutsu, Judô, Yawara, Wajutsu, Kogusoku, Shubaku, Kenpo, entre outros nomes menos comuns.  Mas o termo Jujutsu acabou suplantando os demais, que caíram em desuso. Jujutsu significa “Arte (ou Técnica) Suave” (Ju = Suave; Jutsu = Técnica, Truque, Arte). Era uma das raras artes marciais japonesas que usava um nome ligado a sua Teoria, e não a sua Prática. As técnicas de Jujutsu eram numerosas, e envolviam imobilizações, torções, chaves, estrangulamentos, arremessos, socos, pontapés e algumas técnicas com armas pequenas, como o Jitte e a espada curta. O currículo de técnicas variava de Estilo (ryu) para Estilo, sendo que às vezes o que era chamado de Jujutsu por uns era irreconhecível por outros.

Com o inicio da Era Meiji, o Jujutsu começou a perder importância. Buscando a sobrevivência da arte, muitos mestres passam a tentar modernizar sua prática, criar novos estilos ou fazer apresentações onde usavam suas habilidades para entreter espectadores em espetáculos circenses – o que acabava por degradar ainda mais a imagem do Jujutsu. Alguns Samurai e ronin baderneiros, desempregados com o fim da Casta Samurai, e proibidos de portar espadas, passam a usar seus conhecimentos de Jujutsu para assaltar, arrumar brigas e realizar arruaças. Ficava claro que o Jujutsu estava em vias de desaparecer, se não fossem os esforços de homens como Jigoro Kano, que reformula, moderniza e unifica o Jujutsu, mostrando como ele teria grande valor educacional se praticado da maneira correta.

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