Desprendendo-se

Eis aqui uma história que gosto muito, de origem budista. É possível acha-la fácil em diversos blogs. Aqui a conto com as minhas próprias palavras. 

Dois monges budistas, um já quase idoso, e outro jovem e promissor, caminhavam de volta para o seu mosteiro, após passar o dia fora. Resolveram pegar outro caminho, mais curto, mas no qual teriam que atravessar a vau de um rio. Ao chegarem próximo a margem, viram uma jovem mulher, muito bonita, usando um belo quimono, que parecia assustada e sem saber o que fazer. Como havia chovido nos dias anteriores, as águas estavam mais agitadas do que o normal. Ao ver os monges, a jovem foi até eles:

“Por favor, senhores, estou com medo de atravessar o rio, as águas estão agitadas, sou muito frágil e minha roupa não me permitiria nadar. Vocês poderiam me carregar até o outro lado?”

O monge mais jovem ignorou o pedido da mulher. Eram regras do mosteiro que os monges não deveriam ter contato com mulheres, nem mesmo lhe dirigir a palavra, por isso, mal olhando para a jovem dama, mete-se no rio e o atravessou sem maiores dificuldades. O monge mais velho, porém, abriu um sorriso cordial para a moça, a tomou nos braços e a levou para a outra margem. Ao ver a cena, o monge mais novo ficou chocado, mas nada disse. Continuaram sua caminhada, secando-se com o sol do fim da tarde, atravessando campos de arroz e trilhas de terra batida que cortavam matas e regatos. Durante todo o caminho o jovem monge ficava relembrando da imagem do monge mais velho, sorridente, carregando a mulher pelo rio, e esta lembrança o irritava, mas ele não falou nada. Para piorar, o monge mais velho permanecia impassível, com o rosto sereno.

Já estavam quase na porta do mosteiro quando o jovem monge não aguentou mais e vociferou, com o rosto vermelho de raiva:

“Como o senhor pode fazer aquilo? Sabe muito bem que somos proibidos de tocar em mulheres! Como pode carregar aquela mulher pelo rio?”

Surpreso o monge mais velho ergueu as sobrancelhas e disse:

“Ora, ora! Mas você ainda está carregando aquela mulher? Eu a deixei na beira do rio, mais de uma hora atrás!”

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