Judô, Jiu Jitsu e Defesa pessoal

O Judô ou Jiu Jitsu vem sendo considerado uma arte marcial eficaz para defesa pessoal há muito tempo. Na verdade a Defesa Pessoal sempre foi o principal aspecto pelo qual estas artes marciais ganharam fama. Nos últimos anos, porém, há certos indivíduos que tem considerado que as artes marciais tradicionais não são o melhor a nível de defesa pessoal, tendo preferido cada vez mais certas lutas e sistemas desenvolvidos unicamente para defesa pessoal, como o Krav Maga, por exemplo. 

Mas mesmo ao atentarmos para o Krav Maga, podemos ver que muitas de suas técnicas estão presentes no Judô – digo mais, vieram do Judô! Claro que a prática de uma técnica de luta puramente voltada para Defesa Pessoal tem vantagem, já que desde sempre o treinamento será dirigido para um único fim, enquanto que no Judô, apesar de a Defesa Pessoal ser um ponto importante (inclusive com todo um conjunto de técnicas voltadas exclusivamente para este fim, o chamado Goshin Jutsu), há vários outros aspectos de estudo: educação física, disciplina moral, competição, Kata tradicionais, etc. E o Krav Maga faz algo interessante: não se restringe a determinadas técnicas, abrange golpes de vários tipos. Faz o que este artigo propõe, já na década de 30 (não tenho a data exata em que ele foi escrito, mas por volta de 1937): um treinamento em conjunto de várias técnicas diferentes.

Existe toda uma discussão sobre se tal ou tal arte marcial é mais eficiente como defesa pessoal, mas acredito que o melhor será sempre o treinamento misto. Além disso, há dois aspectos que considero importante e que normalmente não são abordados: Ao treinarmos para defesa pessoal, não estamos querendo formar um lutador, e sim um cidadão que saiba se defender de ataques comuns, do dia a dia. Por isso, via de regra, não é necessário um conhecimento tão avançado de combate – a não ser que a pessoa a ser treinada seja um militar, por exemplo, que pode precisar usar seus conhecimentos contra outros indivíduos também treinados. Outro fator é que defesa pessoal não envolve apenas aspectos físicos… Tem a questão do medo de reagir (e SE devemos reagir), a preparação mental, a confiança, etc. E os Budô, por exemplo, treinam este aspecto também! (logo abaixo, na sessão Leia Mais, tem um link para um artigo que aborda estas questões ‘extras’ da defesa pessoal).

(Demonstração do Kodokan Goshin Jutsu, kata de Defesa Pessoal do Judô)

Uma vez lembro-me de ter lido algum lugar que os irmãos Gracie, no início em sua academia, ensinavam, basicamente Defesa pessoal. O chamado ‘rola’ (um randori de chão, que deu origem às competições modernas de Jiu Jitsu) surgiu como um exercício para preparação física, para criar uma atitude marcial e treinamento de combate para os alunos que já tinham terminado o ‘curso’, que eram justamente aulas de defesa pessoal. O Jiu Jitsu brasileiro moderno, por exemplo, onde desde o primeiro dia o aluno já começa lutando no chão (treinamento esportivo), não tem a mesma eficiência que antigamente. Lutar no chão é extremamente eficiente contra um adversário só, que não saiba lutar no chão, e se o chão for ao menos regular. Veja o vídeo abaixo, que mostra o sistema de Defesa Pessoal do Gracie Jiu Jitsu, sendo apresentado pelo próprio Hélio (o vídeo é incrível, recomendo ver inteiro, aqui ele vai começar na parte que o Hélio demonstra o sistema de Defesa pessoal, mas tem mais coisas antes!)

A historinha no final é ótima, né? rs

Treinei Jiu Jitsu por alguns meses, e nunca tive aulas de defesa pessoal. No Judô foram anos, e apenas uma aula especifica para isto (depois, durante os treinos, eventualmente era mostrado alguma coisa, mas não era dispensado 5% do treino com isto). E isto é uma pena… A Defesa pessoal deveria ser o cerne do Judô e do Jiu Jitsu Brasileiro (não a competição esportiva), mas virou algo quase lendário para a maioria dos Budoka. O Karatê era mais tradicional, mas as competições tem ganhado mais e mais destaque. O Aikidô, não competitivo, leva vantagem neste quesito, mas ainda assim é bem comum um treinamento que acaba não preparando para situações reais, fruto das tendências mais filosóficas ou misticas deste Budô, com os waza sendo treinados sem vigor ou sem as suas aplicações práticas, e o Atemi sendo ignorado. Além disso, não é muito comum que os Budô aceitem se modernizar hoje em dia, e acabam contendo no currículo as mesmas técnicas de defesa pessoal antigas, sendo que é possível criar novas técnicas sem fugir da essência, apenas usando golpes clássicos e os adaptando para situações mais contemporâneas.

Ai temos o Krav Maga, ‘mais prático’ ou realista, que voltado especificamente para defesa pessoal, acaba preparando seus praticantes de um modo mais eficaz e mais rápido que as artes marciais clássicas. Se um Judoka treinasse adequadamente para defesa pessoal, poderia se preparar bem para situações do dia-a-dia, mesmo somente com o Judô. Judô tem Atemi também, afinal, sendo um Budô completo. Mas ele precisaria treinar muito para ser tão bom em defesa pessoal quanto um praticante de Krav Maga, que afinal só treina isso. Porém a nível de defesa pessoal não existe competição, não existe o melhor, existe o que funciona. Afinal, como eu já disse, não estamos falando de criar um lutador, e sim de se defender.

Leia mais:

A Defesa Pessoal: Síntese de conhecimentos úteis (Texto datado de novembro de 1937, da revista de educação física do exercito brasileiro, abordando alguns aspectos interessantes de defesa pessoal)

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