Arquivo da tag: artes marciais japonesas

As grandes escolas do ‘Boxe’ de Okinawa

Por Helton dos Santos

Nota: O termo Te, que compõe a palavra Kara-Te, costuma ser traduzido como Mão. Neste artigo, usando uma licença poética, resolvi traduzi-lo como Boxe, para nomear os estilos antigos de Karatê, quando a arte ainda se chamava simplesmente Te ou Tode, mas mantenho a tradução ‘mão’ quando compõe a palavra Karatê moderna. Meu raciocínio é o seguinte: Algumas escolas de Wushu (Kung Fu) as vezes são chamadas de Boxe chinês por ocidentais; O Muay Thai é o Boxe Tailandês; Ambas usam chutes também, mostrando que o significado de Boxe vai além daquele atribuído à Nobre Arte, o Pugilismo moderno. Já li artigos que tratavam o Savate francês como um tipo de boxe em que se usam os pés. Assim sendo, o Te é, no meu modo de ver, uma espécie de Boxe Okinauense, tanto quanto o Muay Thai é Boxe Tailandês. E Tode, que costuma ser traduzido como “Mãos Chinesas”, vira simplesmente “Boxe chinês”, em japonês. Não sei como o Boxe é nomeado no Japão, por isso mesmo friso que a tradução de Te como Boxe é uma licença poética minha (não sei se mais alguém já fez isto antes de mim). 

O arquipélago de Okinawa (também conhecido em português como Ilhas Léquias, nome que deu origem ao termo leque!), que fica ao sul do arquipélago japonês, era sede de um reino e de uma cultura própria, que antigamente não era ligada exatamente ao Japão. Ali existia o reino de Ryukyu, que chegou a tentar se filiar à China, no século XVII, mas acabou dominada pelo Clã Shimazu (uma importante familia Samurai durante o Xogunato Tokugawa) a partir de 1609, que exigiu o desarmamento da população civil, assim como passou a recolher impostos para o governo japonês. Em 1879, com o governo Meiji, as ilhas foram oficialmente anexadas pelo Japão, após uma contenda com a China, que foi resolvida pelo intermédio do ex-presidente estadunidense Ulysses S. Grant, que decidiu em favor ao Japão. Continuar lendo

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O Jujutsu 柔術

por Helton dos Santos

 

O comum é traduzirmos Ju Jutsu, também grafado como Jiu Jitsu ou Ju Jitsu, dependendo das regras de tradução adotadas, como “Arte Suave”. Na verdade, são duas palavras cuja tradução é difícil de ser realizada ao pé da letra para nosso idioma. Uma língua carrega aspectos culturais próprios, e não necessariamente é possível traduzir todas as suas palavras para outro idioma. Assim sendo, é preciso pensar um pouco a respeito destes dois termos japoneses e seu significado, para compreendermos melhor sobre o que estamos falando. Continuar lendo

Estilos antigos – Koryu

por Helton dos Santos

 

Nas diversas artes marciais japonesas sempre nos deparamos com os chamados estilos, ou em japonês, ryu. Todas as Artes Marciais possuem estilos diferentes, que surgem quando um Mestre, ao discordar de certos pontos de sua Arte, modifica-os, fazendo com que a prática assuma aspectos diversos – mas não a tal ponto que fique totalmente diferente da original. Por exemplo, um certo estilo de Kenjutsu (esgrima) pode dizer que o correto é segurar a espada no alto, enquanto outro diz que o melhor é segurá-la de lado. Em um terceiro estilo, usar duas espadas ao mesmo tempo não é considerado errado, enquanto que nos outros dois, isto é um tabu. Às vezes as diferenças nos estilos são mais uma questão de interpretação de ensinamentos e preceitos filosóficos do que de técnicas em si – daí o fato de antigamente traduzirem o termo ryu como ‘seita’, algo que soa meio religioso hoje, mas que expressa bem o significado da palavra. Devemos sempre ter em mente que a tradução de termos de uma língua para outra sempre gera perdas de significado, por isso é preciso estudar e conhecer varias traduções possíveis, para entender qual a ideia que a palavra quer passar.

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Os Samurais e as Artes Marciais

por Helton dos Santos

 

Originalmente, a Arte Marcial mais importante para os Samurai era o Kyujutsu – Arquearia, ou Arte do Arco e flecha. Mas com o desenvolvimento da metalurgia nipônica, a Esgrima (Arte da Espada), ou Kenjutsu, ganha mais importância. Na verdade quando pensamos em um Samurai, já imaginamos um habilidoso espadachim. A espada, particularmente o sabre japonês chamado Katana, tornou-se o símbolo do Samurai. Em conjunto ao treinamento do Arco e da Katana, bem como da Lança, do Bastão, do Jitte, e as vezes de armas mais exóticas, como o Kusarigama, os guerreiros japoneses treinavam técnicas de desarme e imobilização de adversários, possibilitando que o combate continuasse, mesmo que o soldado estivesse desarmado. Claro que, na prática, estar desarmado na frente de um homem armado de uma lança ou espada costumava significar a morte, mas o treinamento de técnicas de combate desarmado era necessário para formar um guerreiro realmente eficiente.

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O Japão e o Budô – alguns aspectos históricos

por Helton dos Santos

 

O Japão (Nippon ou Nihon) é um país do Extremo Oriente, localizado ao norte do Mar da China. Trata-se de um arquipélago com 4 ilhas principais (de norte a sul: Hokkaido, Honshu, Shikoku e Kyushu) e milhares de ilhas menores. Trata-se de um país montanhoso (de origem vulcânica), difícil de ser habitado: apenas seu litoral é largamente ocupado, possuindo uma das maiores densidades demográficas do mundo. Em suas montanhas desabitadas, belas florestas temperadas guardam pequenas vilas, templos religiosos budistas e xintoístas, e belas paisagens. O clima predominante é o subtropical e temperado, com estações do ano bem definidas.

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